Moradores atingidos pela enxurrada retiram entulhos e lama das casas no AC: 'É revoltante'
15/04/2026
(Foto: Reprodução) Aposentada chora ao relembrar alagações em obra que tenta terminhar em 4 anos
Os moradores atingidos pela enxurrada dessa terça-feira (14) enfrentam agora outra dificuldade após as águas baixarem: retirar entulhos, lama e lixo das casas. Segundo a Prefeitura de Rio Branco, o número de famílias afetadas ultrapassa 1,1 mil na região da Baixada da Sobral.
O número de bairros atingidos também subiu de 12 para 13. A Defesa Civil Municipal informou que em três horas choveu o esperado para uma semana e o acumulado chegou a 51,8 milímetros.
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Nesta quarta (15), equipes da prefeitura estão com máquinas pesadas retirando a sujeira das ruas. Um gabinete de crise foi montado no bairro Plácido de Castro para atender as famílias. (Saiba mais abaixo)
Conforme a Defesa Civil Municipal, 54 ruas precisam de limpeza nos bairros. Ainda segundo o órgão, os moradores devem receber kits de limpeza e, algumas localidades, há a necessidade de distribuição de cesta básica.
Maria do Socorro da Silva chorou ao relembrar que todo ano a água invade a casa dela
Reprodução
O bairro Plácido de Castro foi um dos mais atingidos pela enxurrada. É onde mora a aposentada Maria do Socorro da Silva, de 67 anos, que ainda tem água no quintal nesta quarta. Ela chorou ao relembrar que tenta terminar uma construção na parte de trás da casa desde 2022, mas não consegue por conta das alagações.
A obra é para elevar a residência e evitar que a água da chuva entre no local. "Moro aqui há 50 anos e não consegui terminar ainda. Sempre alagou aqui, quando vir morar aqui não era assim. Não fizeram esse esgoto direito, sempre alaga, molha tudo e nunca recebi auxílio de ninguém", criticou.
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Também moradora do bairro Plácido de Castro, a autônoma Adriane Viana de Lima, de 29 anos, vive há dez anos na Rua Fortaleza e estava em casa com a filha de 4 anos quando começou a chover.
"Acho que não teve uma casa que não inundou. A casa do meu sogro inundou, a minha também e tenho uma filha de 4 anos. Além dele [sogro] dar suporte na casa dele, teve que dar suporte na minha também porque não apareceu ninguém para ajudar. É revoltante a gente viver nesta situação", lamentou.
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Ela relatou ao g1 que a água subiu rapidamente dentro de casa e a única reação que conseguiu ter foi colocar a filha em cima da cama para não ser arrastada pela água.
"Me vi em uma situação difícil. Não saí de casa porque fiquei com medo de cair, a correnteza estava muito fonte. Neste momento só pensei em socorrer a vida da minha filha, coloquei ela em cima da cama, em cima de outro colchão para sobreviver até que água abaixasse", relembrou.
Ainda segundo Adriane, a limpeza da casa só iniciou nesta quarta porque no dia anterior precisou ajudar outros moradores. "A gente tira tudo do lugar, arrumei um pouco, mas estava cansada porque ajudamos outras pessoas, então, hoje que vou tirar tudo e dar uma geral. Tudo que a gente constrói a água vem e destrói", destacou.
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Crianças faltaram a escola
Os filhos da autônoma Priscila Michele Souza Figueiredo, de 32 anos, não conseguiram ir para escola nesta quarta porque o quintal da casa está inundado. Ela mora há nove anos no Loteamento São Sebastião.
Segundo ela, em anos anteriores a água da chuva escovava pelos bueiros, contudo, este ano, não foi possível por conta da obstrução.
"Tem mais de meses que ligamos para limpeza, mas não aparece ninguém aqui. A água chegou no nível da minha porta, desceu um pouco ainda pelos cantos do muro porque aqui na frente não passa nada. Até agora ninguém veio aqui, moro há nove anos aqui e a tendência é só piorar", acrescentou.
Priscila Michele Souza Figueiredo mora no Loteamento São Sebastião e teve seu quintal alagado devido a enxurrada
Reprodução
Limpeza pesada
Ao g1, o secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, explicou que as equipes de limpeza já retiravam lixo e entulhos da região há três semanas. Neste período, segundo ele, foram retiradas, apenas do bairro Plácido de Castro, 100 toneladas de entulho.
Com a enxurrada, o serviço foi reforçado no bairro Plácido de Castro e iniciado nas demais regiões afetadas. "Passei em uma propriedade que limpamos há uma semana, mas já está cheio de entulho. Então, faço um apelo aqui para a população não jogar lixo no lugar inadequado, ajudar a gente. Estamos em todos os bairros afetados, mas peço paciência para a população que vamos atender todos, mas tem que seguir o planejamento", afirmou.
O prefeito Alysson Bestene também esteve nas áreas alagadas e contou que, de imediato, foi montado o gabinete de crise para prestar assistência aos moradores. Bestene frissou que será feito um levantando com medidas para tentar solucionar o problema de drenagem da água.
"Vamos continuar a semana com limpeza, retirada de entulho e dando esse apoio assistencial. O secretário de infraestrutura está in loco com a equipe técnica verificando as possibilidades para a gente trabalhar com projetos a médio e longo prazo e tentar intervenções que solucionem esses problemas", pontuou.
O secretário de Infraestrutura de Rio Branco, Cid Ferreira, disse que haverá uma reunião com o Ministério Público Estadual (MP-AC) para alinhamento de abertura de canais atualmente obstruídos por conta de construções irregulares.
"Precisamos primeiro desobstruir esses locais. Feito isso, com toda certeza, os locais de alagamento vão ter um benefício muito grande porque a maioria dos locais onde há o fluxo da água estão bloqueados, impedidos. Além dessas construções irregulares, tem também o descarte irregular do lixo. Isso patrocina também para que as alagações incomodem a família. A própria família que sofre com isso é a que joga o lixo", argumentou.
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